Já ouviu o termo “mieloma”? Saiba o que é!

Dr. Rafael Tinoco • October 28, 2024

Antes de entender o que é mieloma é preciso compreender o que são tumores. 


Em resumo, podemos descrever os tumores como alterações celulares que provocam o aumento anormal dos tecidos corporais. 


Existem basicamente dois tipos de tumores:


  • Benignos: quando são bem delimitados, de crescimento lento, não se espalham e nem reaparecem após sua remoção; (menor chance de reaparecerem após sua remoção)
  • Malignos: infiltram as células adjacentes, têm crescimento rápido, se espalham e atacam outros órgãos e podem reaparecer após sua remoção. 


Nessa classificação, o mieloma é um tumor maligno que se desenvolve nas células plasmáticas (estruturas responsáveis pela produção dos anticorpos do sistema imunológico). 


Quer saber mais sobre? Então, acompanhe os próximos tópicos para entender melhor!


O que é mieloma? 


O mieloma é uma doença extremamente agressiva, sendo considerado o
segundo tipo de câncer hematológico mais frequente na população.  É mais comum em homens de pele negra, em geral ocorrendo em pacientes acima dos 40 anos de idade, tendo seu pico de incidência entre os 40 e 60 anos.


Tipos de Mieloma


Existem diferentes tipos de mieloma, cada um com características específicas que influenciam o tratamento e o prognóstico. Aqui estão os principais tipos:


Mieloma múltiplo


O mieloma múltiplo é o tipo mais comum de mieloma. Nesta forma da doença, múltiplos tumores de células plasmáticas se desenvolvem em diversos ossos do corpo, como coluna vertebral, costelas e pelve.


Plasmocitoma solitário


O plasmocitoma solitário é caracterizado por um único tumor de células plasmáticas, que geralmente ocorre em um osso específico, como a coluna ou o fêmur. Ao contrário do mieloma múltiplo, o plasmocitoma solitário não se espalha amplamente pelos ossos.


Mieloma indolente


O mieloma indolente, também conhecido como mieloma assintomático ou de crescimento lento, é uma forma de mieloma que progride muito lentamente. Muitas vezes, não apresenta sintomas imediatos e pode ser descoberto acidentalmente durante exames de rotina.


Mieloma de cadeia leve


Outra forma menos comum de mieloma é o mieloma de cadeia leve, onde a doença é caracterizada pela produção de proteínas de cadeia leve, conhecidas como proteínas de Bence Jones. Essas proteínas podem ser detectadas na urina e são um indicador importante para o diagnóstico.


Mieloma não secretor


O mieloma não secretor é uma forma rara da doença em que as células plasmáticas malignas não produzem níveis detectáveis de paraproteína ou proteínas de Bence Jones. Este tipo pode ser mais difícil de diagnosticar devido à ausência desses marcadores no sangue e na urina.


Mieloma extramedular


O mieloma extramedular ocorre quando as células plasmáticas malignas se desenvolvem fora da medula óssea, formando tumores em tecidos moles como pele, fígado ou sistema linfático. Este tipo de mieloma é mais agressivo e pode exigir tratamentos mais intensivos.


Sintomas do Mieloma


No estágio inicial da doença, o paciente pode não ter manifestações ou sinais. Além disso, os sintomas podem variar muito entre cada caso, sendo os principais:


  • Dores ósseas no peito, nas costelas, nas costas, nos membros inferiores e superiores; 
  • Fraturas ósseas espontâneas devido à interferência na reabsorção e recomposição da massa óssea causada pelas células do mieloma;
  • Hipercalcemia, quando os níveis de cálcio no sangue estão elevados devido à  reabsorção óssea provocada pelo acúmulo de células do mieloma; 
  • Predisposição a infecções, como o mieloma atinge o sistema de defesa do organismo, o paciente se torna mais suscetível a infecções graves.


O paciente também pode manifestar outros sinais como:


  • Anemia, cansaço, fraqueza e palidez;
  • Insuficiência renal; 
  • Confusão mental; 
  • Perda de apetite e de peso; 
  • Fraqueza e entorpecimento dos braços e das pernas; 
  • Sede excessiva.


Mieloma: Causas do quadro


Agora que você já sabe o que é mieloma, entenda quais são os fatores que levam a condição a se desenvolver. 


O nosso corpo está sempre em processo de renovação celular, células morrem e dão lugar para outras substituí-las constantemente. 


Para que tudo funcione perfeitamente, as células precisam fazer cópias idênticas de si mesmas.


Entre essas células estão os plasmócitos, responsáveis pela produção dos anticorpos que compõem nosso sistema imunológico e protegem nosso organismo contra infecções por vírus, bactérias e fungos. 


O mieloma surge quando uma célula plasmática sofre mutação e ao invés de produzir uma célula idêntica, passa a produzir cópias com a presença da proteína monoclonal.


As células plasmáticas produzem citocinas, que estimulam o crescimento e a atividade da célula denominada osteoclasto, e esse estímulo faz com que ocorram as lesões que enfraquecem o osso, levando a dor e o risco de fraturas patológicas.


Estágios do mieloma


Estágio I


No estágio I do mieloma, as células plasmáticas anormais estão presentes na medula óssea, mas em quantidades relativamente pequenas. Os pacientes geralmente são assintomáticos ou apresentam sintomas muito leves. Os níveis de proteína M (paraproteína) no sangue ou na urina são baixos, e os exames de imagem podem mostrar poucas ou nenhuma lesão óssea. Este estágio é considerado de baixo risco e, frequentemente, a abordagem é monitorar a progressão da doença sem intervenção imediata.


Estágio II


O estágio II do mieloma é uma fase intermediária, onde há um aumento no número de células plasmáticas anormais na medula óssea. Os níveis de proteína M no sangue ou na urina são moderadamente elevados. Os pacientes podem começar a apresentar sintomas mais evidentes, como dor óssea ou fadiga. Este estágio indica uma progressão da doença, e o tratamento pode ser necessário para controlar os sintomas e prevenir complicações.


Estágio III


No estágio III, o mieloma é mais avançado e agressivo. Há uma alta concentração de células plasmáticas anormais na medula óssea, e os níveis de proteína M no sangue ou na urina são elevados. Os sintomas são mais pronunciados e podem incluir dor óssea intensa, fraturas, anemia severa, hipercalcemia (níveis elevados de cálcio no sangue) e insuficiência renal. As lesões ósseas são frequentemente extensas e visíveis nos exames de imagem. O tratamento agressivo é necessário para controlar a doença e aliviar os sintomas.


Fatores de Risco


Como dito anteriormente, seu pico de incidência se dá entre os 40 e 60 anos, sendo raro em indivíduos jovens. É mais comum em homens, pessoas com pele negra. Além disso, ter um parente de primeiro grau (pais, irmãos ou filhos) com mieloma aumenta o risco de desenvolver a doença.


A exposição prolongada a certos produtos químicos, como pesticidas, herbicidas e solventes industriais . (trabalhadores em indústrias químicas podem estar em maior risco). Exposição a altos níveis de radiação, como a recebida por sobreviventes de explosões nucleares ou tratamentos de radioterapia anteriores, está associada a um risco aumentado de mieloma. E até mesmo a exposição a metais pesados como cádmio e chumbo.


Algumas condições médicas pré-existentes, como gamopatia monoclonal de significado indeterminado (MGUS) e plasmocitoma, podem evoluir para mieloma (cerca de 1% dos casos por ano, pode progredir para mieloma).


Por fim, o excesso de peso corporal (obesidade) pode influenciar o desenvolvimento da doença, infecções crônicas e a supressão do sistema imunológico podem aumentar o risco de mieloma.


Prevenindo o Mieloma


Manter um estilo de vida saudável


Para prevenir o mieloma é preciso adotar um estilo de vida saudável. Isso inclui uma dieta balanceada rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras. Evitar alimentos processados e ricos em gorduras saturadas é essencial. Além de controlar o peso, praticando atividades físicas regularmente enquanto segue uma dieta equilibrada.


Evitar exposição a produtos químicos e radiação


É importante utilizar equipamentos de proteção individual (EPI) ao trabalhar em ambientes com exposição a químicos nocivos, como pesticidas, herbicidas e solventes industriais. E ainda, evitar tanto a exposição a altos níveis de radiação ionizante de fontes industriais e médicas quanto a radiação solar excessiva utilizando proteção adequada e seguindo os protocolos de segurança em locais de trabalho com radiação.


Monitoramento de condições pré-existentes


A detecção precoce de alterações em condições médicas pré-existentes pode prevenir a progressão para mieloma.


Exames regulares


Realizar exames médicos regulares é crucial para a detecção precoce de qualquer anormalidade. Isso é especialmente importante para indivíduos com fatores de risco conhecidos para o mieloma, como histórico familiar ou exposição a produtos químicos.


Vacinação e tratamento de infecções


Manter o sistema imunológico forte através da vacinação e tratamento rápido de infecções pode ajudar a reduzir o risco de mieloma.


Redução do estresse


Gerenciar o estresse é uma parte importante da prevenção de doenças. Técnicas de redução de estresse podem ajudar a fortalecer o sistema imunológico e melhorar a saúde geral.


Educação e conscientização


Estar bem informado sobre os fatores de risco e sintomas do mieloma pode levar a uma detecção mais precoce e a medidas preventivas mais eficazes. Discutir preocupações com um médico é um passo importante para a prevenção.


Diagnóstico e tratamento


O diagnóstico do mieloma é feito através da avaliação clínica do paciente e nos resultados de exames de check-up frequentes como hemograma, eletroforese de proteínas e imunofixação da proteína. 


Apesar de a doença não ter uma cura definitiva, é de suma importância estar atento aos sinais para procurar tratamento. 


O tratamento do mieloma múltiplo é feito com quimioterapia, terapia com células alvo, radioterapia, mas pode ser necessário transplante de medula óssea em casos selecionados.


Pacientes com diagnóstico de mieloma múltiplo devem ter um acompanhamento com o
oncologista ortopédico pois cirurgias profiláticas para prevenir futuras fraturas podem ser necessárias, principalmente em ossos como o fêmur (coxa) e úmero (braço). 


E os tratamentos aliviam os sintomas, evitam complicações e retardam a progressão da doença, para que o paciente possa viver tranquilamente.


Perguntas frequentes


O que é mieloma e o que causa?

O mieloma é um câncer das células plasmáticas na medula óssea. A causa exata é desconhecida, mas fatores genéticos e ambientais podem contribuir.


Como identificar um mieloma?

O mieloma é identificado através de exames de sangue, urina, biópsia da medula óssea e exames de imagem que detectam anomalias e proteínas anormais.


Que tipo de câncer é um mieloma?

O mieloma é um tipo de câncer hematológico que afeta as células plasmáticas, responsáveis pela produção de anticorpos.


Como é a dor do mieloma?

A dor do mieloma é geralmente uma dor óssea persistente, intensa, que pode piorar à noite ou com movimentos, especialmente nas costas e costelas.


Qual doença pode ser confundida com mieloma?

O mieloma pode ser confundido com outras doenças hematológicas, como linfoma e leucemia, devido a sintomas semelhantes.


O que é pior mieloma ou leucemia?

Não há uma resposta direta; ambos são graves, mas a gravidade depende do tipo específico, estágio, e resposta ao tratamento.


O que é mieloma na pele?

Mieloma na pele refere-se ao envolvimento cutâneo raro em que células plasmáticas anormais se acumulam na pele, formando lesões ou nódulos.


O que é mieloma na medula óssea?

Mieloma na medula óssea é quando células plasmáticas cancerosas se acumulam na medula óssea, causando danos aos ossos e interferindo na produção de células sanguíneas normais.


O mieloma é contagioso?

Não, o mieloma não é contagioso. É um câncer do sangue que se origina nas células plasmáticas da medula óssea e não se transmite por contato físico ou outros meios.


Quais são os sinais precoces de mieloma que podem ser facilmente ignorados?

Sinais precoces incluem dor óssea leve, fadiga inexplicável e infecções frequentes, que podem ser confundidos com outras condições menos graves.


O que torna o mieloma diferente de outros tipos de câncer?

O mieloma é um câncer de plasma, um tipo de glóbulo branco produzido na medula óssea. As células plasmáticas normais produzem anticorpos que combatem infecções. No mieloma, as células plasmáticas anormais se multiplicam descontroladamente, levando a diversos problemas.


Quais são os efeitos do mieloma nos ossos e como eles são tratados?

O mieloma pode causar lesões ósseas e enfraquecimento, levando a fraturas. O tratamento pode incluir medicamentos para fortalecer os ossos, como bisfosfonatos, e cirurgia para reparar fraturas.


Qual é o prognóstico para o mieloma?

Depende de idade, saúde, tipo de mieloma, estágio da doença e resposta ao tratamento. Avanços nos tratamentos aumentam a expectativa e qualidade de vida.


Conheça o Dr. Rafael Tinoco!


O mieloma é uma condição séria, mas com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, muitos pacientes conseguem viver vidas longas e produtivas. Entender o que é mieloma e seus aspectos é crucial para enfrentar essa doença de maneira eficaz. Se você ou alguém que conhece apresenta sintomas sugestivos de mieloma, procure um especialista para uma avaliação precisa. 


Consultar um especialista maximiza as chances de um cuidado médico de excelência, adaptado às necessidades individuais e com melhores resultados. Portanto, precisando de uma avaliação precisa, individualizada e humanizada do seu quadro, conte com o Dr. Rafael Tinoco!


O Dr. Rafael Tinoco é um ortopedista e oncologista ortopédico dedicado a oferecer um atendimento humanizado e personalizado. Formado em Medicina pela Universidade Estácio de Sá, ele possui especialização em Oncologia Ortopédica pelo Hospital das Clínicas da USP e Instituto do Câncer de São Paulo. O doutor  preza pela qualidade de vida dos pacientes, focando em tratamentos individualizados e de alta complexidade.


 
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